domingo, 15 de julho de 2007

"O SEMPRE E O DE VEZ EM QUANDO"


O SEMPRE E O DE VEZ EM QUANDO

Outro dia alguém pinçou uma de minhas afirmações para afirmar que eu não acredito em milagres. A afirmação que fiz foi que Deus deseja fazer algo em nós, e não necessariamente por nós. De fato, representa muito do meu pensamento: a principal obra de Deus no humano é a conformação do humano à imagem de seu Filho Jesus, que Paulo, apóstolo, chama de “primogênito entre muitos irmãos”. Mais do que fazer coisas boas para o ser humano, Deus está comprometido em transformar o ser humano, ainda que isso custe deixar ou permitir que coisas ruins aconteçam a este ser humano em processo de transformação. Deus não atua no ramo de “conforto para os fiéis”. Deus atua no ramo de transformação do humano à imagem de Jesus Cristo.

Daí a extrapolar que eu não acredito em milagres é um pulinho. Confundir a ênfase da minha teologia – “Deus faz em nós, e não necessariamente por nós”, com “Deus nunca faz nada por nós”, é até compreensível.

Na verdade, o que pretendo dizer é melhor compreendido quando se dá atenção ao “não necessariamente”: Deus deseja fazer algo em nós, e não necessariamente por nós. Sublinhe o “não necessariamente”. Isso significa que Deus pode fazer e pode não fazer, e que o fazer ou deixar de fazer é imponderável, afetado por muitas variáveis que extrapolam o nosso controle e nosso entendimento. O que acredito, portanto, é que Deus sempre deseja fazer algo em nós, mesmo quando não faz algo por nós. Deus está sempre agindo para nossa transformação, mesmo quando não atua em nossas circunstâncias.

Por esta razão, minha conclusão é óbvia e simples: não devemos pautar nosso relacionamento com Deus na expectativa de que Ele faça algo por nós, mas na certeza de que Ele deseja fazer algo em nós. Quando Ele faz algo por nós, amém, quando não faz, amém também. O que não podemos permitir é que a expectativa de que Ele faça algo por nós nos deixe cegos ou imobilizados para o que Ele quer fazer em nós.

A maioria dos cristãos baseia seu relacionamento com Deus na dimensão “por nós”: o Deus de milagres, o Deus de poder. Alguns poucos baseiam seu relacionamento com Deus no “em nós”: o Deus de amor que nos constrange a viver para Ele e não para nós mesmos, onde viver para Ele implica sempre morrer para si mesmo, tomar a cruz e meter o pé na estrada. O milagre é problema (ou solução) de Deus. A fidelidade é problema meu. Atuar em minhas circunstâncias é o imponderável do mistério de Deus. Atuar em mim é o essencial do propósito de Deus. Você escolhe a base de sua relação com Deus: aquilo que pode acontecer ou não – o milagre, ou aquilo que certamente acontece – a transformação.

"CORAGEM DE PENSAR FORA DA CAIXA"


Coragem para pensar fora da caixa.
Ricardo Gondim. www.ricardogondim.com.br

Os escritores norte-americanos Phillip Yancey, Ronald Sider, Rob Bell e Jim Wallis vêm afirmando que o movimento evangélico já não consegue responder satisfatoriamente aos desafios deste milênio.
Realmente. Na Europa pós-cristã, ele permanece periférico; nos Estados Unidos, foi absorvido pela religião civil do “Destino Manifesto” – que considera o país eleito e abençoado por Deus; na América Latina seu crescimento numérico o afasta do protestantismo clássico enquanto se condena a tornar-se uma religião popular sem práxis transformadora.
Considerando a obra de Thomas Kuhn sobre mudanças de paradigmas, “A estrutura das Revoluções Científicas”, dá para perceber como o movimento evangélico se esvazia. Para Kuhn, um paradigma enfraquece quando se torna incapaz de explicar algum fenômeno científico, mesmo que já tenha servido para nortear a pesquisa. Os paradigmas, depois de convincentemente desafiados por novas evidências, precisam sofrer mudanças.
Na tese de Kuhn, enquanto um paradigma se mostrar eficiente, as pesquisas e as descobertas são graduais e cumulativas. Porém, no instante em que as inovações deixam de ser absorvidas, as rupturas passam a ser bruscas; surgem pessoas que se atrevem a desafiar tanto os antigos conceitos quanto a noção do progresso gradual e constante do saber em direção à verdade.

Muito tem sido publicado procurando um diálogo da teologia com a historiografia, psicologia, física quântica, sociologia, antropologia e até arqueologia; novos pensadores evangélicos se revezam criticando alguns pressupostos. Segundo Kuhn, todos eles pagarão um alto preço por essa aventura; seguirão Galileu, que quase morreu quando descobriu que Júpiter tinha luas. Por derrubar a astronomia ptolomaica desacreditou também a teologia que acreditava num universo geocêntrico. A igreja defendeu seus dogmas e Galileu, para salvar a pele, precisou se retratar.

Os evangélicos tentam responder à atual crise de várias maneiras.

Com a resposta piedosa. Ressoam apelos de que os crentes precisam voltar a orar. Li no quadro de aviso de uma igreja uma convocação para que os crentes entrassem numa “maratona” de oração. O pastor queria promover um avivamento espiritual colocando sua congregação de joelhos. Vale perguntar se é preciso mais intercessão ou se não é hora de repensar o conteúdo das orações. Convivi entre os pentecostais por anos e posso afirmar, sem medo de errar, que multiplicar os “círculos de oração”; não resolverá o problema.

Com a resposta legalista. Avivalistas acusam, com dedo em riste, que “o mundo entrou na igreja”. Alguns acham que conseguirão anular o declínio ético propondo que “endurecereçamos” nos usos e costumes. Os jovens, principalmente, deveriam se arrepender do estilo de vida “carnal” que adotaram. Eles esquecem que o legalismo não tem valor nenhum contra a sensualidade e que impor tantas exigências acaba gerando mais hipocrisia.

Com a resposta ortodoxa. Já escutei líderes evangélicos afirmarem que carecemos de uma nova Reforma. Alguns buscam reavivar liturgias e paramentos de trezentos anos atrás. Os evangélicos realmente se distanciaram de várias doutrinas do protestantismo do século XVI. Contudo, seria ilusão pensar que um novo Lutero resgatará o movimento. Em um mundo globalizado, com tanta complexidade cultural, uma nova Reforma, semelhante àquela, jamais se repetirá.

Com a resposta organizacional. Principalmente os estadunidenses tentam manter suas igrejas pelo viés da administração eclesiástica. Eles acreditam que a fé voltará a ser relevante com uma liturgia mais “amigável”, com uma mensagem mais contemporânea, com bons estacionamentos e criando redes ministeriais.

Diante da crise, acredito ser preciso fazer um novo “dever de casa”; admitir que urge começar a pensar fora da antiga caixa e ter coragem de enfrentar novos desafios.

Para essa tarefa, proponho que a Graça volte a ser pedra principal da espiritualidade cristã e que o exercício teológico leve, até as ultimas conseqüências, o amor gratuito de Deus; que se enfatize que Ele não faz acepção de pessoas; que se reverta a tendência de transformar as igrejas em “Bingos” onde muitos buscam milagre e poucos recebem benção. Por último, é preciso aprender a pensar globalmente. Não é possível continuar apostando que Deus prospera os crentes que gostam de supérfluos e desprezar os miseráveis dos campos de refugiados africanos e das periferias urbanas brasileiras.

Junto com o enfraquecimento de um paradigma tanto existe o desafio para que saiamos do quadrado e demos um salto qualitativo, como a possibilidade de nos condenarmos ao anacronismo.
A decisão está em nossas mãos.

Soli Deo Gloria.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

"DEUS HABITA ENTRE QUE LOUVORES?"

DEUS HABITA ENTRE QUE LOUVORES?


Deus habita nos louvores de Seu povo.

No entanto, tais louvores não são cânticos como cânticos, mas adoração proveniente de corações quebrantados e contritos.

O louvor no qual Deus habita é toda expressão do ser (do coração) tomado de amor e gratidão; e que faz isso em humildade e simplicidade, pois, Deus não se “empolga” com cânticos sem coração, posto que o único instrumento que faz a voz do homem ouvida por Deus é o coração.

Deus habita entre louvores como louvor de passarinho.

Sim! O louvor que agrada a Deus é aquele que se assemelha à gratidão de passarinhos cantantes — só que como somos humanos, seria como o cantar de passarinhos conscientes da Graça que lhes trás provimento todos os dias.

Assim, quando se diz que Deus habita entre os louvores de Seu povo, não se fala de outro povo que não o povo quebrantado e contrito, e que louva não como o faziam os soldados de Alexandre, o Grande, ou de César, ou de qualquer outro conquistador.

O louvor a Deus é o gorjeio da alma simples e grata!

Na gritaria de canções para “Deus” que se assemelham à jactância dos que ganharam porque derramaram o sangue do inimigo, Deus mesmo não está.

Podem-se ajuntar milhões cantando e gritando, mas, se neles não houver a singeleza do louvor do gorjeio dos passarinhos, tais vozes não chegarão ao coração de Deus.

O louvor que enche o coração de Deus é simples, quebrantado, singelo, espontâneo, e não conhece performance.

O que passar disso é apenas exercício vocal feito pelo entusiasmo da carne e estimulado pela ufania da religião que diz: “Cante; pois Deus gosta de música e de canções que digam que “Ele” é o “máximo”.”.

Bobagem!


Caio

13/07/07
Lago Norte
Brasília

terça-feira, 10 de julho de 2007

"O DEUS DOS CRENTES"


O “Deus dos crentes” é inseguro, ciumento, invejoso e arrogante. Não é justo e nem injusto; depende, pode ser e pode não ser; depende da barganha a oferecer.

O “Deus dos crentes” leva dinheiro a sério para Si mesmo. Ele não aceita esse negócio de ser o dono do ouro e da prata na natureza, e não ser também o grande Banqueiro da Terra.

Onde já se viu? Inventarem uma referência de valor e Deus não ser o dono? Que negocio é esse? Jamais! Que coisa é essa do dinheiro ficar na mão de outros? O “Deus dos crentes” diz: “Não inventei isso, mas já que existe e vale, é meu!”.

Na realidade o “Deus dos crentes” fica feliz quando os Seus representantes e cobradores de impostos declaram em Seu nome que Deus mandou dizer que quer dar dinheiro pros crentes que não forem miseráveis, pois, Ele só dará para quem der a Ele. Mas não explica porque a grana do mundo não está nas mãos dos crentes; e nem tampouco porque Ele tem que tirar o dinheiro do mundo de circulação secular, e fazendo todo o fluxo da economia vir apenas para as mãos dos crentes; os quais, não têm dinheiro.

Foi por essa razão que o “Deus dos crentes” teve que inventar um mover novo; no qual os crentes ficam sabendo que eles é que são os responsáveis por Deus ter ou não dinheiro nesse mundo, conforme a nova revelação do Deus desejoso de que o monopólio do dinheiro do mundo fique nas mãos dos crentes; e, assim, o mercado se equilibre.

“Já pensarem Deus com dinheiro?” — perguntam os Seus fiscais de renda.

Ora, temos bons exemplos de Deus com dinheiro, e de Deus sem dinheiro. Ora, Deus sem dinheiro fica fraco e vira Jesus. E isso o Deus dos crentes não quer nunca mais, e pede aos crentes que o salve de tal humilhação. Já o Deus dos crentes com dinheiro, ah, nesse caso, Ele fica poderosos, mais poderoso que o diabo.

Deus nunca teve dinheiro. Mas nos últimos dois milênios Ele resolver acabar com essa miséria. Assim surgiu o Deus dos crentes. E se alguém quiser mais informações sobre isto, basta ver como Deus foi com dinheiro nesses últimos dois mil anos de “Deus Rico”.

Ora, com grana o “Deus dos crentes” é um Deus surtado. Sim! Ele, que não estava acostumado se não a nada, a tendas, a tabernaculos, a peregrinações livres, e, sobretudo, às incertezas do vento, agora, depois do dinheiro, surtou — surtou com Salomão, com Herodes, o Grande, com Constantino, com os poderes reais do Cristianismo, e, por último, com a prosperidade dos protestantes.

Ora, entre os últimos surgiu um grupo que mais do que qualquer outro, ambiciona por Deus. De fato eles dizem que querem dinheiro para Deus. Outros dizem que o dinheiro é de Deus; e, portanto, se tal grana não estiver no bolso-gaso-falácio da divindade, certamente estará no banco do inferno dos bolsos desigrejados.

Assim, para quem não sabe, o gaso-falácio é o bolso de Deus!

E mais: o “Deus dos crentes” só aceita dinheiro no bolso Dele. No dos outros não é Dele.

Dessa forma o “Deus dos crentes” quer abrir todas as filiais de arrecadação possível. E quem desejar agradá-lo, esforce-se para fazer a franquia que Deus lhe deu tornar-se a mais lucrativa possível. Afinal, o “Deus dos crentes” estabeleceu que o serviço a Ele só pode ser medido em volumes financeiros, de modo que um fiscal que não faça seu posto de cobrança divina crescer, esse não serve para servir ao “Deus dos crentes”.

O “Deus dos crentes” enfim conseguiu alguns bons testemunhos modernos da devoção que Ele busca; e diz: “Viram os servos presos ou acusados de lavagem de dinheiro e de apropriação indébita? Esses são os fieis que fazem toda a minha vontade.”.

Sobre o Seu desejo de ficar com tudo, Ele diz: “Pois, bem — quem disse daí a César o que é de César, estava enganado; pois, as minhas ordens sempre foram outras, posto que para mim o que é de César tem que ser meu. Afinal, como posso eu competir com os poderes de César se ele tem mais dinheiro e poder do que eu?”.

O “Deus dos crentes” teria que fazer umas re-interpretações acerca desse Impostor chamado Jesus; e que um dia tendo tido Sua confiança, mas que, ao chegar aqui, surtou geral.

Então... — nasceu de gente humilde e sem nome, foi parido ao relento e posto para estar numa caverna onde bois dormiam (talvez esse negócio de dormir com bois o tenha deixando vendo boi dormir...); e, adulto, foi sempre escolhendo o lado errado, a começar da identificação “dele” com seu primo pobre, um certo João que batizava, e que só se sentia bem comendo gafanhotos e se vestindo à moda brega de Elias.

Daí pra frente foi uma tragédia só. Sim! Pois o enviado traiu quem o enviou e, assim, fez tudo diferente. Até nas tentações “ele” foi tolo; e, assim, não percebeu que aquilo ali não era tentação, mas sim uma oportunidade mandada por Deus.

Mas o tal Jesus estava tão surtado e tão disposto a fazer apenas o que lhe estava na consciência, que nem viu que o diabo era um anjo; e que as três ofertas eram dons divinos — transformar pedras em pães, cometer suicídio devocional no Pináculo do Templo, e aceitar todos os poderes e dinheiros do mundo, e, desse modo, agilizar as coisas de Deus na terra.

Assim, o “Deus dos crentes” pergunta na Epístola de São Judas Traidor: “Já pensarem se “Jesus” tivesse visto que o diabo era o meu mensageiro e que as ofertas não eram tentações, mas oportunidades? Sim! Já pensarem onde nossa causa estaria se “ele” não tivesse estragado tudo?”.

O “Deus dos crentes” sofreu um amadurecimento. A experiência com Jesus o traumatizou. Essa foi a razão Dele ter trocado Cristo por Constantino, e a igreja-povo pela Igreja-Estado, e os servos humildes pelos senhores arrogantes.

Agora o “Deus dos crentes” não comete mais esses erros. Não! Ele só manda quem entende o diabo e vê nas tentações as melhores oportunidades!

Num país como o Brasil, o “Deus dos crentes” diz: “Imaginem-me sem a Record? Imaginem-me sem os meus servos que lá fielmente me atendem? Imaginem-me todo esse poder que agora tenho? O que seria de mim? Aleluia, digo eu, pelos meus servos esforçados, e que arrecadam todo o meu dinheiro! E como são fieis e lidam com dinheiro melhor do que eu (essa é uma coisa nova pra mim, diz o senhor!), entreguei meus bens a eles; e eles só os aumentam; e, por isso, dou graças a mim mesmo por eles terem ficado livres das maldiçoes hereditárias do Jesus simples e pobre, e também por devidamente terem reconhecido e abraçado o Cristo Rei, o qual veio como inspiração do meu amado e fiel Constantino!”

Assim, diz o “Deus dos crentes”: “Lutem meus filhos, pois, infelizmente, essa praga chamada Evangelho ainda insiste, e o surto de Jesus continua a ter muitos seguidores! Lutem! Pois essa praga tem que ser tirada da terra!”.

Desse modo, o “Deus dos crentes” está muito feliz. Tudo está dando certo para Ele depois que Ele acabou com essa briga que Jesus inventou com o diabo; e, assim, devidamente reconciliado com sua criatura favorita, o “Deus dos crentes” diz: “Quem bom! Agora a casa não está mais dividida. Aquele tal de Jesus quase acaba comigo. Mas “nós” vencemos!”.

Por isso é que um de Seus profetas, um tal Isalamias, diz: “Vinde comer e beber, vinho e leite, mas não esqueçam de trazer o dinheiro, pois, de graça, aqui não se oferece nada. Sim! Vinde todos. É caro mais vale a pena!”

Por essa razão Charles Baudelaire teria dito: “O ‘Deus dos crentes’ é o diabo!” Ora, e ainda há quem o chame de herege.

Eu vejo isso e digo: Sai “Deus dos crentes”! Sai em nome de Jesus. Sai daí, do meio do povo de Jesus. Sai espírito do anti-Evangelho!



Caio

09/07/07
Lago Norte
Brasília

sexta-feira, 15 de junho de 2007

SIMPLES IMPLICAÇÕES DA FÉ EM JESUS





O que as pessoas precisam saber é que se elas crêem em Jesus, então, nada pode continuar a ser como tem sido; pois, se as coisas são conforme Jesus disse que elas são, implica que Deus é amor; é Pai; é Filho; é irmão dos homens; é Consolador; é a força que acompanha afirmando e emprenhando de esperança aquele que crê — ao mesmo tempo em que, se crêem em Jesus, precisam admitir que os corações dos homens serão julgados; e as aparências serão desvestidas até o que é verdade, pois, somente os atos do amor sobreviverão.

O que as pessoas precisam saber é que se elas crêem em Jesus, então, elas também crêem que no fim a recompensa é de quem foi feliz porque era humilde e ensinável, porque chorou os bons choros, porque dominou o coração contra os impulsos do ódio ou do descontrole, porque andou com o olhar limpo, com a vontade feita de paz, com a perseverança fundada na justiça, e com a alegria advinda dos céus — de onde terá vindo a redenção de quem creu, até o fim de tudo.

O que as pessoas precisam saber é que se elas crêem em Jesus, então, devem assumir que o mundo vai acabar; a natureza vai gemer até parir algo novo; as nações irão se odiar; os povos se ajuntarão apenas para a guerra; e a grande maioria amará muito mais a mentira que a verdade.

O que as pessoas precisam saber é que se elas crêem em Jesus, então, crêem também que Israel será Israel até que chegue o Dia de seu Pranto pelo Unigênito; e que guerras e revoluções acontecerão em toda parte; e que poder algum na Terra trará paz duradoura ao mundo até o fim.

O que as pessoas precisam saber é que se elas crêem em Jesus, então, elas também crêem que os vivos que crerem, quando soar a última trombeta, serão transformados, e, abduzidos por anjos, irão ao encontro do Senhor nos ares. Antes disso, porém, todos os que tiverem morrido no leito da fé na ressurreição, serão levantados da morte. Os mortos ressuscitarão primeiro. Depois os vivos serão transformados. Assim crêem os que crêem.

O que as pessoas precisam saber é que se elas crêem em Jesus, então, elas crêem também que as coisas são como Jesus nos disse que elas são, foram e serão.

Se assim é, por que, então, conseguimos não ser nada do que dizemos crer? Ou será que de fato não cremos em nada do que confessamos com os lábios?

Ora, se você não crê em mais nada disso, então, diga: “Eu não creio em mais nada disso. Para mim Jesus é o Máximo, é meu guru, é meu poder; é o poder que me ensinaram e que funcionou pra mim.”.

Certamente seria ainda mais agradável a Deus!


Nele, em fomos chamados para a OBEDIÊNCIA EM FÉ,



Caio Fábio - www.caiofabio.com

14/06/07
Lago Norte
Brasília

terça-feira, 5 de junho de 2007

"OS INVEJOSOS" - Jehozadak Pereira



OS INVEJOSOS








A inveja só é exercida no tangível, ou seja, naquilo que se vê. Raramente alguém vai sentir inveja de quem está longe ou distante. Um homem sempre vai invejar outro homem, uma mulher sempre vai invejar outra mulher. Dificilmente um velho vai sentir inveja de um jovem, o mesmo já não acontece em relação à mulher. Muitas vezes uma mulher velha tem inveja de uma jovem ou adolescente, porque vai ver nela uma rival em potencial. Logicamente há exceções.

Um empresário vai sentir inveja de um outro empresário, um pedreiro vai sentir inveja de um igual, porque vai ver nele um concorrente no seu campo de ação.

Nos anos 80, o atletismo americano tinha dois atletas de ponta. Um deles era Edwin Moses e o outro Carl Lewis. Atletas que competiam em modalidades diferentes no atletismo, foram supercampeões, Moses chegou a ganhar mais de 150 provas consecutivas. Mas Lewis não o tolerava, e em algumas provas do circuito internacional, impunha a sua participação ao não convite a Moses. Mesmo depois que Moses parou de competir, Lewis recusava-se a tocar no nome do “rival”.

Antonio Salieri foi um competente e respeitado compositor de mais de 40 óperas e teve como alunos, entre outros, Beethoven, Liszt e Schubert. Mas, alguma coisa não caminhou bem entre Salieri e Wolfgang Amadeus Mozart. Salieri, então começou a sua perseguição pessoal contra Mozart. Usou de calúnia junto ao círculo do poder imperial, difamou, infamou, empurrou para a miséria e envenenou o seu “desafeto” pessoal.

A história de ambos foi pesquisada, analisada, estudada e ninguém conseguiu chegar a uma conclusão satisfatória do porquê Salieri perseguia Mozart. Mas o caso é um dos exemplos clássicos do que um invejoso pode fazer com o objeto do seu desejo.

Sandra por algum tempo recebeu ligações telefônicas dizendo que seu marido a traía com diversas mulheres. Que nas viagens profissionais do seu esposo – ele era um requisitado publicitário – sempre havia a companhia de uma mulher. Confrontado, o marido de Sandra sempre negou tudo, dizia que era honesto e fiel, mas as ligações continuavam.

Sandra certa vez percebeu um caroço num dos seios, e por recomendação médica submeteu-se a uma biópsia. A véspera de um feriado prolongado, Sandra recebeu uma ligação do consultório do médico, dizendo que o resultado da biópsia dera positivo. A voz informava que ela era portadora de um tipo raro de câncer, letal em 98% dos casos.

O fim de semana de Sandra foi dos piores, até que no primeiro dia útil subseqüente a notícia, ela descobriu que o caroço no seu seio era benigno e ela não precisava sequer operar. Mas uma coisa a intrigava? Quem teria interesse em desestabilizá-la emocionalmente? Poucas pessoas sabiam do seu problema, ela fez uma relação de quem sabia. Suas duas irmãs, sua cunhada e Taís, sua comadre, amiga de longa data e vizinha.

As ligações informando das infidelidades do marido continuavam. A esta altura, o casamento ia de mal a pior. Brigas e discussões que transformaram a vida do casal num martírio constante e interminável.

Um dos cunhados de Sandra era juiz de direito, e ela contou a ele a respeito das ligações, e do fato que a intrigava profundamente: a ligação do consultório do médico. Carlos, o cunhado, protocolou um pedido de interceptação telefônica, e a companhia providenciou um aparelho – que na época existia para uso restrito – que identificava as chamadas.

Perplexa, Sandra descobriu que quem telefonava para a sua casa passando os trotes era Taís. Confrontada Taís revelou o motivo de tudo: inveja. Tinha inveja mortal da amiga. Inveja do casamento dela, dos seus filhos, da sua beleza, das suas roupas, do seu modo de vida. Revelou que se pudesse mataria Sandra, tamanho era o seu ódio por ela. Como não tinha coragem de matá-la, resolveu atormentá-la com os telefonemas. Uma das formas para que isto acontecesse era primeiro acabar com o casamento feliz de Sandra. Taís queria ver a ruína da “inimiga”.

No episódio da ligação do “consultório” do médico, ela chorou junto com Sandra, para depois dentro de casa gargalhar e se alegrar com a tristeza e o abalo emocional da “amiga”.

O invejoso é daquele que torce para que o “desafeto”, ao tirar a música no violino, arrebente uma das cordas. Ele às vezes, não vai querer que você morra, ele quer te ver dando vexame, fazendo papelão, que você seja um fiasco, e que todos riam de você. Ele vai tramar e urdir algo que te atrapalhe, e se você não perceber – melhor para ele. Vai mandar uma carta anônima, vai passar um trote telefônico, vai fazer com que a camisa do marido da amiga tenha uma mancha de batom, vai plantar a desconfiança no coração da amiga a respeito da demora do marido.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

"Caminho da Graça: Instituição X Institucionalização"


Muita gente pensa que criei uma denominação a um estilo evangélico light em razão do surgimento do “Caminho da Graça”. Mas não poderiam estar mais enganados em seus julgamentos.

Na realidade, como passei minha vida toda dizendo, instituições são entes impossíveis de não serem criados em qualquer que seja o ajuntamento humano.

Ajuntamento humano constante, freqüente, harmônico, coeso no mesmo objetivo e nas mesmas compreensões, inevitavelmente institui-se como um ente coletivo, seja qual for o elemento de sua junção — cultural, esportiva, espiritual, política, etc.

Assim, digo: pelo próprio compromisso com os conteúdos de sua identidade, pessoas que se encontram umas com as outras de modo comprometido e em razão de algo maior do que elas mesmas — fazem nascer uma instituição.

Reconhecimento e afinidade geram instituição.

Do mesmo modo instituição é fruto da convicção comum.

Aonde quer que pessoas se encontrem, e o façam em razão de uma convicção comum, ali há uma instituição, mesmo que seja nos encontros do bar da esquina.

Ora, nesse sentido, até este espaço virtual do meu site, pela convergência de milhares de pessoas que a ele se ligaram pela convicção, e em razão de cuja convergência veio a surgir naturalmente o Caminho da Graça — é também uma instituição.

Minha luta nunca foi contra a instituição; pois, tal luta é tão inglória e tola quanto correr da própria sombra.

Minha luta sempre foi contra a institucionalização.

A instituição é fruto do que é. Já a institucionalização põe o que é a serviço de algo que já não é, posto que apenas um dia foi.

Ora, o que é sempre tem primazia sobre o que foi, pois, o que é está existente e vivo hoje, e o que já foi não passa de uma referencia, mas já não deve determinar aquilo que agora se faz real.

O principio do Evangelho acerca do que se institui pela verdade da realidade e da necessidade, em contra partida àquilo que um dia foi, mas hoje já não é, nos é apresentado por Jesus por duas imagens — dos odres velhos e novos, e da veste velha e do pano novo.

Instituição é validada pela sua validade existencial, pela sua relevância, pelo seu significado real para a vida hoje.

Institucionalização é o esforço presente por manter o passado e suas regras humanas de ontem, válidas hoje, mesmo que ninguém consiga ver a sua significação.

Instituição é um ente vivo. Sim! Porque feito de gente!

Institucionalização é a ditadura dos defuntos.

Assim, o pano novo e o vinho novo correspondem à instituição do que é, do que é relevante, do que é necessário, e do que é verdadeiro e sincero com a realidade.

Do mesmo modo, a veste velha e o odre velho, com seu vinho velho, correspondem à institucionalização.

Jesus disse que era para não se tentar instituir o novo no velho instituído, pois, jamais haveria compatibilidade.

Se algo é novo em relação a algo que pela sua existência se torna velho, então é porque neles habita uma distinção de significado essencial.

Assim, a verdadeira instituição se converte à verdade e à realidade, se re-generando. E faz isto mediante o arrependimento que se manifesta como pertinência e capacidade de se transformar, revelando tal capacitação em cada novo encontro com a vida e com a realidade.

Já o que se faz instituído como algo fixo (institucionalização) deseja vestir para sempre os homens com as vestes de ontem, e almeja que cada nova geração goste do mesmo vinho produzido num ontem eterno. Assim, o que antes fora vinho novo, tendo sido condicionado por um odre de imutabilidade, pode hoje já não ser nada além de um vinagre.

Desse modo, digo: o Caminho da Graça é uma instituição pelo simples fato de milhares de pessoas — seja pelo site, seja em razão dos encontros nas dezenas de grupos e Estações — afirmarem sua convergência de convicção nas mesmas coisas, confessando harmonicamente os mesmos objetivos fundados no Evangelho, e, de modo relativo e secundário, expressos de forma atualizada nos conteúdos expressos neste site.

Entretanto, o principal conteúdo do Caminho da Graça é sua disposição de existir em metanóia permanente, no permanente encontro entre a Palavra e a existência.

Assim se espera que o processo não cesse jamais de se converter ao novo, conforme a revelação do Evangelho, o qual, é Palavra viva, e se re-atualiza a cada nova realidade ou geração.

Voltando ao assunto de eu estar criando uma denominação.

Na realidade, caso minha consciência não fosse como é, ou seja, filha da esperança de ver o Evangelho sendo experimentado em minha geração, já hoje, apenas pela via do site, o “Caminho da Graça” já teria centenas e centenas de grupos, com pastores de todas as denominações, com muitas propriedades, e até com seminário.

Por quê?

Ora, é que quase diariamente recebo propostas de todos os tipos, desde pastores desejosos de virem para o Caminho da Graça com suas comunidades, até aquelas de grupos de igrejas que desejariam se dissolver e ganhar a placa (o que jamais existirá) do “Caminho da Graça” nas portas de seus templos.

Eu, entretanto, digo a todos que não daria certo, pois, segundo o Evangelho, ninguém que tenha se acostumado ao vinho velho dirá que o novo é excelente.

Sim! É total perda de tempo, pois é como colocar remendo de pano novo em veste velha.

O trabalho de desconstrução dos vícios da religião velha não vale o esforço, segundo Jesus.

O Reino está aqui. Está à mão. Quem desejar, deixe o que tem, e siga o Evangelho.

Desse modo, o que digo é que o Caminho da Graça não é uma “denominação religiosa”, pois, apesar da inevitabilidade da instituição, nosso modo de ver e sentir a experiência da fé, não tem qualquer outra referencia absoluta senão o Evangelho em sua simplicidade, fugindo nós de tudo aquilo que signifique o emoldurarmento da experiência do tempo presente, evitando a tentação de que a experiência de hoje se torne perene nas formas e nos modelos quando estes já não forem pertinentes ou próprios em outra geração, tempo, ou realidade.

Hoje mesmo cada Estação do Caminho da Graça já tem sua identidade e modos próprios, conforme a cultura e sensibilidade das pessoas do lugar.

No Caminho da Graça as formas e modos são tão variáveis quanto variáveis são as realidades que culturalmente nos constituem.

Os odres e as vestes são circunstanciais e generacionais. O Evangelho é que nunca precisa mudar, nunca necessita ser adaptado aos sabores de novos conteúdos, posto que a essência da Palavra é imutável em seu espírito.

Assim, que ninguém veja o “Caminho da Graça” como uma nova denominação evangélica light, pois, no que nos diz respeito, buscamos o compromisso como uma forma permanente de mudança, conforme a Palavra e o Espírito nos convençam em relação à realidade de hoje ou de qualquer outro tempo posterior a este.

Para quem desejar mais detalhes, recomendo a leitura do livro de minha autoria intitulado “O Caminho da Graça Para Todos”. Quem desejar basta pedir na loja do site ou, então, pode escrever o nome acima no espaço de “Busca”, e, assim, achar o texto do livro, e que se encontra nos conteúdos deste site.

A Videira Verdadeira nos dá o vinho novo a cada nova geração. Cabe a nós ter a coragem de trazermos odres novos, assim como cabe a nós vencer a tentação do remendo de pano novo em veste velha.

O que se espera é que tão somente nos vistamos com a nova vestimenta, feita do pano novo da Graça de Deus em nossa geração.



Nele, que é o Evangelho imutável,


Caio

13/04/05
Lago Norte
Brasília

II Encontro de Mentores das Estações do Caminho da Graça